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Psicanálise

Na Casa Matriarcal Terapretas, a Psicanálise é um espaço de escuta ética, cuidadosa e comprometida com a história de cada pessoa.

Reconhecemos que nossas experiências são atravessadas por gênero, raça e contexto social, e por isso oferecemos um ambiente seguro para elaboração emocional, fortalecimento e construção de novos sentidos para a própria trajetória.

Aqui, a palavra é instrumento de cuidado, reflexão e transformação.

Psicanálise, Formação e Estudos Clínicos

Formação em Psicanálise Clínica

A Formação em Psicanálise Clínica é realizada pela Terapretas – Unidade Integrada à Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea (SOBRAPsico), com foco na preparação ética e prática de futuros psicanalistas.

O percurso formativo possui duração de 36 meses e é estruturado a partir do Tripé Analítico: formação teórica, análise pessoal e estágio supervisionado, fundamentais para o desenvolvimento clínico e humano na prática psicanalítica.

Metodologia e Experiência Formativa

A formação integra estudo teórico aprofundado, processos de análise pessoal e acompanhamento supervisionado, promovendo uma experiência completa de aprendizagem.

Os encontros acontecem de forma presencial na unidade do Rio de Janeiro e também online pela plataforma Google Meet, ampliando o acesso à formação e fortalecendo o compromisso com a saúde mental e o cuidado coletivo.

Informações e Novas Turmas

Pessoas interessadas em conhecer mais sobre a formação, valores, funcionamento das turmas ou próximos ciclos podem entrar em contato diretamente com a equipe da unidade.

Para dúvidas e informações gerais, envie um e-mail para:
sobrapsicounidadeterapretas@gmail.com

Formatura Turma 2021-2024

A formatura da turma 2021–2024 marca a conclusão de um importante percurso de formação em Psicanálise Clínica, construído a partir do estudo, da análise pessoal e da prática supervisionada.

Mais do que um encerramento de ciclo, este momento simboliza o compromisso ético com o cuidado, a escuta e a transformação humana, fortalecendo novos profissionais dedicados à saúde mental e ao trabalho clínico em suas comunidades.

Eventos

A Casa Matriarcal Terapretas participa ativamente de eventos, encontros e debates voltados à saúde mental, psicanálise e cuidado coletivo, contribuindo para a construção de espaços de reflexão, escuta e transformação social.

Como polo da SOBRAPSICO (Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa e Comunitária), o Terapretas fortalece o diálogo entre a prática clínica, a produção de conhecimento e as demandas das comunidades, promovendo ações que ampliam o acesso à saúde mental e valorizam perspectivas plurais do cuidado.

Nossa presença em congressos, rodas de conversa, seminários e atividades formativas reafirma o compromisso com uma psicanálise ética, inclusiva e socialmente comprometida, capaz de acolher diferentes trajetórias e contribuir para a promoção do bem-estar individual e coletivo.

17 de maio de 2026

Café com as 

Relações

A Casa Matriarcal Terapretas participou do Café com as Relações, realizado em 17 de maio de 2026, um encontro dedicado à reflexão sobre os vínculos humanos, a escuta e os desafios das relações na contemporaneidade.

A atividade promoveu um espaço de diálogo e construção coletiva de conhecimento, reunindo participantes em torno de temas relacionados à saúde mental, à psicanálise e às formas de cuidado que fortalecem o desenvolvimento individual e comunitário.

Como polo da SOBRAPSICO, o Terapretas reafirma seu compromisso com a difusão de uma psicanálise socialmente implicada, acessível e comprometida com a promoção do bem-estar e da transformação social.

29 de maio de 2026

Bate-Papo:

Saúde Mental e Novos Caminhos

Participação do Polo Terapretas-Sobrapsico no bate-papo "Saúde Mental e Novos Caminhos", realizado no Sesc Pompeia, em 29 de maio de 2026. O encontro também contou com a participação de Bárbara Borges, Francinai Gomes e Priscila Machado.

Foi um momento de troca, escuta e integração, marcado por reflexões profundas sobre saúde mental, cuidado coletivo e a construção de novos caminhos para o bem-estar. A conversa proporcionou um espaço acolhedor para o compartilhamento de experiências, saberes e perspectivas, fortalecendo redes de apoio e reafirmando a importância do diálogo como ferramenta de transformação social e promoção da saúde emocional.

4 a 7 de junho de 2026

10° Congresso Brasileiro de Saúde Mental

Memória de luta e projetos de futuro: por uma sociedade sem manicômio.

A Casa Matriarcal Terapretas marcou presença no 10º Congresso Brasileiro de Saúde Mental, realizado sob o tema "Memória de luta e projetos de futuro: por uma sociedade sem manicômio".

O evento reuniu profissionais, pesquisadores, estudantes e organizações comprometidas com a construção de práticas de cuidado mais humanizadas, inclusivas e socialmente responsáveis. A participação da Terapretas reforçou seu compromisso com a promoção da saúde mental, o fortalecimento das redes de cuidado e a defesa de políticas que garantam dignidade, autonomia e acesso aos direitos.

Como polo da SOBRAPSICO, a Terapretas contribui para o desenvolvimento de reflexões e ações que articulam psicanálise, cuidado comunitário e transformação social, fortalecendo caminhos para uma sociedade mais acolhedora e livre de exclusões.

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25 de Julho - Mulheres Negras na Psicanálise

Quando o corpo silenciado transforma sua experiência em pensamento, palavra e direção clínica

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra não devem ser compreendidos apenas como datas comemorativas. São marcos de memória, organização política e afirmação da existência. O 25 de julho nasceu da mobilização de mulheres negras latino-americanas e caribenhas e, no Brasil, também reverencia Tereza de Benguela como símbolo de liderança, resistência e construção coletiva. 

Ao relacionarmos essa data à Psicanálise, somos convocadas a formular uma pergunta fundamental: quem teve, historicamente, o direito de falar sobre o sofrimento humano e de ser reconhecida como produtora de teoria?

Durante muito tempo, o conhecimento psicanalítico foi apresentado como se pudesse compreender o sujeito sem considerar plenamente as marcas produzidas pela raça, pelo gênero, pela classe social, pelo território e pela história colonial. Entretanto, não existe vida psíquica fora da experiência social. O inconsciente não está suspenso no vazio: ele é constituído também pelas palavras que recebemos, pelos lugares que nos atribuem, pelas imagens às quais somos comparadas e pelas violências que tentam determinar quem podemos ser.

Para a mulher negra, o sofrimento não nasce apenas dos conflitos internos ou das relações familiares. Ele também pode ser produzido por uma sociedade que invade sua constituição subjetiva com mensagens de inferiorização, rejeição e desumanização.

O racismo não permanece do lado de fora da pele.

Ele pode penetrar a imagem que a mulher constrói de si, interferir em sua relação com o próprio corpo, dificultar o reconhecimento de sua beleza e de sua inteligência, desautorizar seus afetos e fazer com que ela precise provar continuamente que merece estar nos espaços que ocupa.

Por isso, uma clínica comprometida com mulheres negras não pode interpretar como simples insegurança aquilo que foi produzido por repetidas experiências de desqualificação. Não pode chamar de exagero aquilo que nasceu da vigilância necessária para sobreviver. Não pode reduzir a dificuldade de confiar a um conflito exclusivamente individual quando a realidade ensinou aquela mulher que sua palavra seria frequentemente questionada.

É nesse ponto que as mulheres negras transformaram profundamente a Psicanálise.

Virgínia Leone Bicudo foi uma das grandes pioneiras dessa transformação. Socióloga e psicanalista, estudou as relações raciais quando boa parte do pensamento brasileiro ainda insistia em minimizar a existência do racismo. Sua produção mostrou que o preconceito operava nas relações sociais e alcançava a constituição emocional das pessoas negras. Além de contribuir para a institucionalização e a difusão da Psicanálise no Brasil, Bicudo investigou as relações entre raça, reconhecimento social, sofrimento e possibilidades de pertencimento.

 

Sua trajetória nos obriga a reconhecer que uma mulher negra não estava apenas entrando em um espaço teórico: ela estava ampliando o próprio campo de visão da Psicanálise.

Mais tarde, Neusa Santos Souza, em Tornar-se negro, revelou a violência psíquica produzida quando a branquitude é apresentada como modelo ideal de humanidade, beleza, inteligência e sucesso. Seu pensamento demonstrou que a identidade negra não é simplesmente um dado biológico: ela precisa ser construída e afirmada diante de uma ordem social que tenta transformar o corpo negro em falta, inadequação ou obstáculo.

 

“Tornar-se negra”, portanto, não significa descobrir uma essência escondida. Significa realizar um trabalho psíquico e político de ruptura com as imagens depreciativas impostas pelo racismo.

Significa aprender a olhar para si sem utilizar exclusivamente os olhos de quem a inferiorizou.

Significa recuperar o direito de desejar sem desejar desaparecer.

Significa construir um ideal de si que não dependa do apagamento dos próprios traços, da própria história, da própria origem e de suas alianças ancestrais.

Isildinha Baptista Nogueira, ao investigar as significações do corpo negro, aprofundou a compreensão de que o racismo se inscreve psiquicamente. O corpo negro não é vivido apenas como matéria biológica: ele é atravessado por olhares, fantasias, rejeições e significados sociais. Quando uma sociedade institui a brancura como ideal imaginário, a pessoa negra pode ser colocada em conflito com sua própria imagem corporal.

 

Na experiência das mulheres negras, esse conflito adquire dimensões específicas.

O corpo negro feminino pode ser simultaneamente invisibilizado, hipersexualizado, controlado e explorado. A mulher negra pode ser convocada a cuidar de todos, mas raramente autorizada a precisar de cuidado. Pode ser considerada forte quando está apenas impedida de demonstrar cansaço. Pode ser admirada por sua resistência, enquanto ninguém se responsabiliza pelas violências que exigiram que ela se tornasse resistente.

Na prática clínica, essa realidade exige uma escuta profundamente responsável.

É necessário perguntar não somente: “O que esta mulher sente?”

Mas também:

Quem a ensinou a silenciar esse sentimento?

Em quais espaços sua dor foi desacreditada?

Quantas vezes sua firmeza foi chamada de agressividade?

Quantas vezes seu conhecimento foi apropriado sem que seu nome fosse citado?

Quantas vezes ela precisou maternar pessoas adultas enquanto sua própria necessidade de acolhimento permanecia sem resposta?

Quantas vezes o mundo exigiu sua força, mas lhe negou descanso, remuneração justa, proteção e reconhecimento?

Uma Psicanálise verdadeiramente comprometida com a mulher negra não deve transformar a resistência em diagnóstico.

 

Há mulheres cuja vigilância não é paranoia, mas memória de violências reais.

Há mulheres cuja dificuldade em pedir ajuda não é apenas defesa narcísica, mas consequência de uma vida na qual a ajuda nunca chegou.

Há mulheres cuja raiva não representa descontrole, mas a emergência tardia de um limite que foi violado durante anos.

Há mulheres cuja exaustão não pode ser tratada como simples incapacidade individual de organização, porque resulta de jornadas materiais, emocionais e ancestrais de cuidado.

Isso não significa abandonar a investigação do inconsciente. Significa impedir que a teoria seja utilizada para retirar da realidade aquilo que a realidade produziu.

A mulher negra não deve chegar à clínica para aprender a suportar melhor o insuportável. A análise precisa ajudá-la a reconhecer o que lhe pertence e o que foi depositado sobre ela; distinguir responsabilidade de culpa; cuidado de servidão; amor de submissão; resistência de aprisionamento.

A clínica pode se tornar o espaço em que ela finalmente deixa de ser apenas aquela que sustenta e passa a ser sustentada pela escuta.

Um espaço no qual não precise apresentar provas de sua dor.

No qual o silêncio não seja confundido com ausência de pensamento.

No qual sua espiritualidade, sua ancestralidade, sua cultura e sua linguagem não sejam interpretadas automaticamente como ignorância ou superstição.

No qual seu corpo não seja tratado como um problema a ser corrigido, mas como território de memória, desejo, dignidade e reconstrução.

Neste 25 de julho, homenagear as mulheres negras na Psicanálise significa reconhecer aquelas que produziram conhecimento, abriram instituições, formaram profissionais, escreveram obras fundamentais e criaram práticas de cuidado mesmo quando seus nomes não receberam a mesma projeção destinada aos homens e às pessoas brancas.

Significa também reverenciar as mulheres negras que realizam o trabalho clínico nos territórios, nas periferias, nos serviços públicos, nos projetos comunitários, nas universidades, nos consultórios e nos espaços coletivos de acolhimento.

Mulheres que não apenas aplicam teorias, mas as interrogam.

Mulheres que ampliam a escuta porque conhecem, no próprio corpo, a diferença entre ser observada e ser verdadeiramente reconhecida.

Mulheres que compreendem que saúde emocional não é adaptação passiva a estruturas violentas.

Mulheres que sabem que cuidar da vida psíquica também é fortalecer a capacidade de dizer não, de interromper ciclos, de construir autonomia, de elaborar perdas e de imaginar futuros.

Tereza de Benguela representa a mulher que organizou resistência e continuidade onde o sistema pretendia produzir submissão. As mulheres negras na Psicanálise dão continuidade a esse gesto quando organizam pensamento, clínica e cuidado em lugares onde ainda se tenta negar a legitimidade de suas vozes.

Elas nos ensinam que a escuta também pode ser quilombo.

Que o conhecimento também pode ser território de proteção.

Que a palavra pode restituir dignidade ao corpo.

Que elaborar não significa esquecer, mas impedir que a violência continue governando internamente a existência.

Neste dia, honramos Virgínia Leone Bicudo, Neusa Santos Souza, Isildinha Baptista Nogueira e tantas outras mulheres negras que transformaram sua experiência histórica em produção intelectual, direção clínica e compromisso com a vida.

Que seus nomes não sejam lembrados apenas em julho.

Que sejam estudadas nas formações

Citadas nas pesquisas.

Reconhecidas nas instituições.

Escutadas nas decisões.

E compreendidas como fundamentos indispensáveis para qualquer Psicanálise que pretenda falar seriamente sobre o sujeito brasileiro.

Porque não existe escuta profunda onde o racismo permanece inaudível.

Não existe neutralidade clínica quando determinados corpos chegam ao mundo previamente marcados pela exclusão.

E não existe Psicanálise comprometida com a liberdade sem a presença, o pensamento e a liderança das mulheres negras.

Louvadas sejam as mulheres negras que fizeram da escuta um território de existência, da palavra uma forma de restituição e do conhecimento um caminho coletivo de liberdade.

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Casa Matriarcal Terapretas
Aline Gomes — Psicanalista

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AS CILADAS DE UMA PSICANÁLISE AMADORA: LIBERDADE NÃO É AUSÊNCIA DE RIGOR

A Psicanálise nasceu de uma ruptura. Desde Freud, sua transmissão não se reduz à aquisição de um diploma, ao cumprimento burocrático de uma carga horária ou à autorização estatal para escutar o sofrimento humano. Sua formação exige algo muito mais profundo: transformação subjetiva, estudo permanente, supervisão e experiência clínica.Por isso, defender a não regulamentação da Psicanálise não significa defender uma prática sem critérios. Ao contrário: significa sustentar que o rigor psicanalítico não pode ser substituído pela simples concessão de um título.

A liberdade que historicamente caracteriza a Psicanálise não pode servir de abrigo ao amadorismo.

Formações de seis meses, cursos excessivamente abreviados e certificações que prometem produzir rapidamente um “psicanalista” esvaziam a complexidade de um ofício que exige tempo. Conhecer conceitos não é o mesmo que sustentar uma clínica. Saber definir transferência, resistência, recalque ou inconsciente não significa estar preparado para reconhecer esses fenômenos quando eles emergem vivos na relação analítica.É justamente por isso que a tradição psicanalítica consolidou seu tripé formativo: análise pessoal, estudo teórico e supervisão clínica.

E esse tripé não deveria ser compreendido apenas como uma etapa para receber um certificado. Para o psicanalista comprometido com seu ofício, formação é processo permanente. Estuda-se, supervisiona-se a clínica e retorna-se à própria análise sempre que o trabalho e seus atravessamentos assim exigirem.

Da mesma maneira, possuir formação em Psicologia, Medicina ou qualquer outra área não transforma automaticamente alguém em psicanalista. Estudar Psicanálise durante uma graduação, pós-graduação ou determinado período não equivale a realizar uma formação psicanalítica. A Psicanálise possui percurso formativo próprio, historicamente sustentado por escolas, sociedades, institutos e comunidades de transmissão.

Aqui reside uma questão fundamental: regulamentar uma profissão e formar um psicanalista são coisas diferentes.

Há riscos quando se pretende enquadrar a Psicanálise em estruturas externas capazes de determinar, por critérios predominantemente administrativos, quem pode ou não ocupar o lugar de analista. A história da Psicanálise nos ensina a preservar sua autonomia intelectual, sua pluralidade teórica e a liberdade necessária à transmissão de suas diferentes escolas.

Mas há um risco igualmente grave no extremo oposto: utilizar essa liberdade para justificar formações precárias.

Entre a tutela burocrática e o improviso existe um caminho: autorregulação responsável, formação consistente, pertencimento institucional, análise, supervisão, estudo e compromisso ético.

Em tempos marcados pela velocidade, pela exigência de respostas imediatas e pela dificuldade de sustentar a elaboração do sofrimento, a Psicanálise permanece profundamente atual justamente porque oferece aquilo que a pressa contemporânea frequentemente retira do sujeito: tempo para falar, escutar, associar, repetir, compreender e elaborar.

Sua eficácia não depende de transformar-se em uma prática apressada para acompanhar o tempo atual. Talvez esteja exatamente em oferecer outra relação com esse tempo.

A Psicanálise não precisa de atalhos.

Precisa de psicanalistas.

Profissionais que compreendam que receber um certificado pode encerrar um curso, mas jamais encerra uma formação.

Aline Gomes 
Psicanalista

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